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日志


2009/11/8

FERNÃO DE MAGALHÃES E A VIAGEM DE CIRCUM-NAVEGAÇÃO

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Fidalgo da pequena nobre­za, Fernão de Magalhães nasceu no Norte de Portugal (em Trás-os-Montes, segundo al­guns historiadores, no Porto, se­gundo outros). Veio jovem para Lis­boa e embarcou aos 25 anos na armada do vice-rei D. Francisco de Almeida, a caminho da índia, em 1505. Percorreu os pontos princi­pais do império do Oriente e parti­cipou em acontecimentos cruciais da Expansão, como a batalha naval de Diu, em 1509, e a conquista de Goa, em 1510. Na índia conheceu Francisco Serrão, futuro feitor nas ilhas Molucas, e começou a inte­ressar-se pelos locais de origem das especiarias que atraíram os portugueses ao Oriente.

De regresso a Lisboa, em 1513, partiu para Marrocos sob o coman­do do duque de Bragança e distin­guiu-se na conquista de Azamor, a ponto de ser nomeado quadri­lheiro-mor. Foi nesse cargo que caiu em desgraça: uma das suas funções era repartir o saque, e foi acusado junto do rei de o ter feito de forma pouco transparente.

D. Manuel recusou-lhe por duas ve­zes o pedido de aumento da tença. À segunda recusa, Magalhães abandonou a corte e foi propor os seus serviços ao rei de Espanha.

 

Em 1517, Fernão de Magalhães chegou a Sevilha, onde conheceu dois poderosos elementos da corte espanhola: Juan de Aranda, feitor da Casa da Contratação, e o bispo de Burgos, membro do Conselho das índias.

Magalhães convenceu­-os de que era capaz de realizar o projecto em que trabalhava há anos, a descoberta do caminho para as ilhas produtoras de especiarias, as Molucas, navegando para ocidente, de maneira a atingi-las por mares que, ao abrigo do Tratado de Torde­silhas de 1494, não estivessem re­servados a Portugal.

Aranda e o bispo puseram Maga­lhães em contacto com o rei Car­los I de Espanha (que em 1519 se tornou também imperador Carlos V da Alemanha). Depois de uma ne­gociação regateada acordaram nos termos da expedição. Maga­lhães cobrava um soldo de 50 mil maravedis e, ao comando de uma esquadra de cinco naus (Trinidad, San Antonio, Concepción, Victoria e Santiago), com uma tripulação de 265 homens, ficava incumbido de tomar posse das Molucas para a coroa espanhola.

A primeira circum-navegação da Terra começou em Setembro de 1519. De San Lúcar de Barrameda, os navios rumaram às Canárias e dali para o Brasil. Chegaram à baía do Rio de Janeiro em Dezembro e seguiram a costa para sul. Em Fe­vereiro de 1520 atingiram a foz do Rio da Prata e a 31 de Março esta­vam na baía de S. Julião. Maga­lhães decidiu passar ali o Inverno. Durante os meses seguintes esma­gou uma revolta e perdeu duas naus, a Santiago naufragou e a San Antonio voltou a Espanha na sequência de um motim.

Cinco meses depois a esquadra fez-se ao mar a 18 de Outubro, já reduzida a três navios. A 21, as naus inter­naram-se num estreito fustiga­do por violentas tempestades. Só descobriram a saída em meados de Novembro. Maga­lhães baptizou-o “Estreito de Todos os Santos", porque passara nele o dia de Todos-os-Santos. Ao saírem do estreito, os marinhei­ros tinham deixado o Atlântico

e navegavam noutro oceano, a que chamaram Pacifico, por contraste com os temporais que antes tinham encontrado. Mais tarde, Carlos V determi­nou que a passagem do Atlân­tico para o Pacifico se chamas­se Estreito de Magalhães.

A travessia do Pacífico dizi­mou a tripulação, assolada pela fo­me, a sede e o escorbuto. Em Mar­ço de 1521, Magalhães chegou a um arquipélago a que chamou de S. Lázaro, mais tarde denominado das Filipinas, em honra de Filipe II.

Aportou a Cebu, onde estabeleceu relações comerciais com o rei local.

As coisas não correram tão bem com o rei da ilha vizinha de Mactan. Magalhães desembarcou ali com um grupo armado, disposto a obri­gá-lo a submeter-se, e foi abatido pelos indígenas, em Abril de 1521.

Escolhidos para chefiar a expedi­ção, Duarte Barbosa e João Serrão quiseram vingar Magalhães. Barbosa foi morto, Serrão preso, e os sobreviventes fizeram-se ao largo. Juan Sebastian de Elcano tornou­-se o novo comandante. A bordo

da Victoria, Elcano completou a circum-navegação iniciada três anos antes por Magalhães: chegou a San Lúcar de Barrameda em Se­tembro de 1522. Dos 265 homens que tinham partido, voltaram 18.

 

O facto de Fernão de Magalhães ter concretizado a sua odisseia ao serviço de um rei espanhol não lhe retira o mérito. Pelo contrário. É admirável que tenha conseguido montar uma expedição desta envergadura num país que não era o dele.

Segundo Gonçalves Neves, “Fernão de Magalhães representa um grupo de homens que saíram de Portugal e projectaram o seu saber para fora das fronteiras”.

Nunca deixou de ser português. Foi graças a ele que Portugal esteve no início da globalização.

 

[in NS-J. Ferreira, RTP]

 

2009/9/30

D. MIGUEL, REI ABSOLUTO (ACLAMADO COMO SALVADOR DA PÁTRIA, ENCHEU AS PRISÕES E ALIMENTOU AS FORCAS)

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A chegada de D. Miguel a Lisboa, no dia 22 de Fevereiro de 1828, regressado de um exílio de quatro anos, foi uma festa que descambou numa orgia de violência.

Do cais de Belém, onde desembarcou da fragata Pérgola, até ao palácio, ''foi um triunfo: um trovão de vivas, um desespero de gritos, um dilúvio de flores, bandeiras, colchas, foguetes em girândolas!", descreve Oliveira Martins.

O infante, de 25 anos, garboso na farda enfeitada com penachos e galões, era para

o povo "o arcanjo S. Miguel".

Mas logo nesse dia, bandos de populares armados de cacetes começaram a percorrer as ruas à procura de liberais para os provocar e agredir. Berravam morras aos

"malhados" (como chamavam aos defensores do regime constitucio­nal) e à "canalha pedreiral" (os pe­dreiros-livres, isto é, a Maçonaria).

Os seus apoiantes cantavam: "O rei chegou, o rei chegou!

                                             E em Belém desembarcou;

                                             Na barraca [palácio das Cortes] não entrou

                                             E o papel [Carta Constitucional] não assinou!

                                             C'o papel o cu limpou!"

Era só o princípio.

Nos anos que se seguiram, Portugal foi palco de uma repressão feroz contra todos aqueles que os caceteiros migue­listas acusavam de partidários do liberalismo instaurado pela revolu­ção de 1820.

O infante partira para o Brasil com a família quando tinha apenas cin­co anos.

Os tumultos de Fevereiro de 1821, no Rio de Janeiro - em que viu o pai, D. João VI, ser obriga­do a jurar a sua adesão à revolução portuguesa -, traumatizaram

D. Miguel, então com 18 anos.

Enquanto o irmão mais velho, D. Pedro, ficou no Brasil e abraçou a causa liberal, D. Miguel voltou com os pais para Lisboa e tornou-se o chefe do partido absolutista.

Em 1824 foi desterrado para Viena de Áustria, depois do fracasso do golpe da Abrilada, que tentara derrubar o governo de D. João VI.

O rei morreu dois anos depois, sucedendo-lhe D. Pedro, imperador do Brasil. Conhecedor dos "anti­corpos" que contra ele existiam em Portugal por ter sido o principal res­ponsável pela independência brasi­leira, D. Pedro IV outorgou a Carta Constitucional e de seguida abdi­cou a favor da filha, D. Maria II, uma menina de oito anos.

Numa tentati­va de reconciliar os portugueses di­vididos entre liberais e absolutistas, perdoou "os desatinos do mano Miguel", nomeou-o lugar-tenente e combinou o seu casamento com D. Maria II.

Em troca, D. Miguel ju­rou aderir ao regime constitucional.

Entusiasmado com a recep­ção apoteótica em Lisboa, D. Miguel, sempre instigado pela mãe, D. Carlota Joaquina, renegou o juramento que fizera da Carta Constitucional e, em Julho de 1828, foi aclamado rei absoluto pelas Cortes reunidas à maneira da Idade Média: clero, nobreza e povo.

As represálias subiram de tom.

O pretexto foi a conspiração dos Divodignos - uma associação de estudantes revolucionários da Uni­versidade de Coimbra -, responsá­vel pelo assassínio de professores miguelistas.

As forcas do Cais do Sodré, em Lisboa, passaram a fazer parte do imaginário nacional. Entre 1828 e 1834 houve, segundo Oli­veira Martins, 115 enforcamentos, a esmagadora maioria por motivos políticos.

Nas prisões, sobretudo do Limoeiro, em Lisboa, e de S. Julião da Barra, em Oeiras, apodreceram dezenas de milhares de presos políticos (Oliveira Martins fala em 26 700), entre eles Borges Carneiro, um dos líderes da revo­lução de 1820, e o antigo primei­ro-ministro conde de Subserra, absolutista moderado.


 

A violência do regime levou à emigração, por razões políticas, de muitos milhares de portugueses (Oliveira Martins conta 13 700).

Em 1831, D. Pedro abdicou da coroa do Brasil, decidido a fazer da filha rainha constitucional de Portugal. Formou um exército composto por emigrados portu­gueses e por mercenários recruta­dos em França e Inglaterra e iniciou a Guerra Civil (1832-1834).

Derrotado, D. Miguel assinou a Convenção de Évora Monte e partiu para o exílio, a 27 de Maio de 1834. Desta vez não regressou: morreu em Brombach, na Alema­nha, com 64 anos.

 

(José Ferreira in NS)

 

2009/7/18

D. PEDRO IV E O REGRESSO A PORTUGAL

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Desde 1828 que Portugal estava sujeito às tropelias de D. Miguel, rei absoluto.

Havia forcas no Cais do Sodré, os presos políticos apodreciam no Forte de S. Julião da Barra, sermões incendiários do padre José Agostinho de Macedo e de frei Fortunato de São Boaventura atiçavam os esbirros contra os liberais - os "malhados".

 

D. PEDRO tinha abdicado da coroa portuguesa a favor da filha, D. Maria li, em 1826, mal soube da morte do pai, D. João VI. Ao mesmo tempo, outorgara a Carta Constitucional e, para reconciliar os portugueses, divididos desde a Revolução de 1820 entre liberais e absolutistas, propôs ao seu irmão mais novo, D. Miguel, chefe da facção absolutista, o casamento com D. Maria II.

D. Miguel, exilado na Áustria, aceitou. No entanto, mal regres­sou a Portugal, em 1828, desistiu do casamento com a sobrinha e fez-se aclamar rei absoluto.

Em 1831, D. Pedro deixou a coroa imperial brasileira ao filho D. Pedro II e partiu para a Europa para fazer valer os direitos de D. Maria.

Proclamou-se regente de Portugal - e ganhou o cognome de Rei­-Soldado.

Financiado pelo espa­nhol Mendizábal, recrutou mer­cenários em Inglaterra e França e preparou uma expedição aos Açores, em 1832.

Estabeleceu o governo constitucional na ilha Terceira, de onde Mouzinho da Silveira reformou a administração pública, nacionalizou os bens da coroa e da Igreja: em decretos sucessivos lançou os alicerces do Portugal moderno.

A seguir, com 7500 homens - entre voluntários emigrados e mercenários estrangeiros -, desembarcou na praia de Pampelido, perto do Mindelo (daí terem passado à história como os "bravos do Mindelo") e ocupou o Porto, onde aguentou o cerco das forças miguelistas durante mais de um ano.

Em Junho de 1833, a esquadra liberal, comandada pelo inglês Charles Napier, largou da foz do Douro rumo ao Algarve. Depois de desembarcar os generais Terceira e Palmela, Napier derrotou a armada miguelista ao largo do cabo de S. Vicente. O duque da Terceira subiu pelo Alentejo e, a 24 de Julho de 1833, entrou triunfante em Lisboa.

No Porto, a 25 de Julho, Saldanha repeliu o último assalto absolu­tista.

D. Miguel iniciou uma longa retirada: primeiro para Coimbra, dai para Leiria, depois para Santarém.

A guerra civil durou ainda mais oito meses. As vitórias de Saldanha e Terceira, em Almoster e Asseiceira, deram o golpe de misericórdia no debilita­do exército absolutista.

D. Miguel assinou a Convenção de Évora Monte e partiu para o exílio.

Mas os vencedores não se enten­deram. D. Pedro não continha os tiques autoritários. Numa noite de Verão, no Teatro de S. Carlos, em Lisboa, o regente foi pateado aos gritos de "abaixo o ditador!"

Foi de mais para o ex-rei e ex-imperador. Aos 35 anos, minado pela tuberculose, parecia um velho. A 24 de Setembro de 1834, morreu no mesmo quarto onde nascera, no Palácio de Queluz.

 

 

D. Pedro IV nasceu no Palácio de Queluz a 12 de Outubro de 1798, recebendo o nome de Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de Bragança e Bourbon, tendo falecido no mesmo palácio.

Foi sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora, sendo transladado para o Brasil em 1972.

Foi o 1.º imperador do Brasil, de 1822 a 1831.

Casou em 1817 com D. Maria Leopoldina Josefa Carolina, que nasceu a 22 de Janeiro de 1797, e faleceu no Rio de Janeiro, a 11 de Dezembro de 1826, filha de Francisco I e de D. Maria Teresa, últimos imperadores do Sacro Império Romano Germânico , e primeiros da Áustria. 

 

 

 

2009/5/8

VASCO DA GAMA, Percursor da Globalização

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VASCO DA GAMA, filho do alcai­de-mor de Sines, foi nomeado capitão-mor da expedição à Índia por D. João II. Após a sua morte, a nomeação foi confirmada por D. Manuel I.

Vasco da Gama tinha 28 anos quando partiu do Restelo, em 8 de Julho de 1497. A armada era composta por um navio de transporte, pela caravela Bérrio e pelas naus S. Rafael, comandada por Paulo da Gama (irmão mais velho de Vasco da Gama), e S. Gabriel, sob o comando do pró­prio capitão-mor, tendo como pilo­to Pêro de Alenquer.

A tripulação contava entre 150 e 170 homens. Só um terço havia de regressar.

Depois de uma primeira paragem na ilha de Santiago, em Cabo Ver­de, a frota dirigiu-se à Serra Leoa e a partir daí descreveu um longo arco para oeste para contornar os ventos contrários, até apanhar outros, já no hemisfério sul, que a levaram de novo à costa africana.

Só a 22 de Novembro, e após duas tentativas, dobraram o Cabo da Boa Esperança e fundearam na angra de S. Brás.

Continuando para norte, ao longo da costa oriental de África, chegaram em fins de Janeiro de 1498 ao rio que Vasco da Gama baptizou de Bons Sinais (Quelimane), por ali ter obtido informações sobre a presença de árabes. Foi nesse local que se verificaram os primei­ros casos de escorbuto.

Ao chegarem à ilha de Moçambi­que, no princípio de Março, os portugueses testemunharam o negócio daquilo que procuravam no Oriente: ouro, prata e, sobre­tudo, especiarias, como a pimenta e o cravo.

Em Abril desembar­caram em Mombaça (actual Quénia), mas sentiram-se em peri­go quando os locais descobriram que os visitantes eram cristãos. Só em Melinde, mais para norte, foram bem recebidos e contra­taram um piloto árabe que os conduziu ao destino.

Em Calecute (no actual estado indiano de Kerala), ao verem estátuas de deusas hindus nos templos, os portugueses julgaram ter estabelecido contacto com cristãos veneradores da Virgem Maria. Em breve se desengana­ram.

A tentativa de estabelecer relações diplomáticas com o entreposto comercial da costa do Malabar falhou devido à hostilida­de do samorim (soberano local), estimulada pelos mercadores muçulmanos - mas não só. Habi­tuados a lidar com chefes tribais da costa africana que se deixavam deslumbrar por contas de vidro e quinquilharia, os portugueses cometeram a gaffe de oferecer a um potentado habituado ao luxo asiático presentes que ele não podia deixar de considerar sim­plesmente insultuosos.

Ao fim de três meses de negocia­ções infrutíferas, a 29 de Agosto de 1498, os portugueses larga­ram de Calecute. A viagem de regresso foi longa e tormentosa, com grande parte da tripulação dizimada pelo escorbuto. Vasco da Gama só regressou a Lisboa em finais de Agosto ou início de Setembro de 1499, a bordo da S. Gabriel.

A boa nova da desco­berta da rota para a Índia fora trazi­da em Julho, pela caravela Bérrio.

O rei D. Manuel mostrou-se grato. Deu a Vasco da Gama e seus descendentes o titulo de Dom e o cargo de almirante da índia; atribuiu-lhe uma tença de 300 mil cruzados por ano; autorizou-o a trazer da Índia mercadorias no valor de 200 cru­zados por ano e a negociá-las no reino sem outros encargos além da vintena para a Ordem de Cristo; e prometeu doar-lhe a vila de Sines - o que nunca cumpriu. Mais tarde, acabou por conceder-lhe a Vidigueira, com o titulo de conde.

Voltaria mais duas vezes à Índia - em 1502 e em 1524 -, de que foi governador e segundo vice-rei para lutar contra os abusos existentes que punham em causa a presença portuguesa na região.

Vasco da Gama começou a actuar rigidamente e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer em Dezembro desse mesmo ano em Cochim, sendo os seus restos mortais trazidos para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada).

 

Vasco da Gama morreu em Cochim, como vice-rei, durante a sua terceira viagem à índia, na noite de Natal de 1524.

A presença de seus restos mortais na vila alentejana da Vidigueira prende-se ao facto de o soberano lhe ter atribuído o título de conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja a si e aos seus descendentes) em 1519. Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões. Há quem defenda, porém que, os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram naquela vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador em Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.

 

2009/4/16

D. AFONSO IV E A BATALHA DO SALADO

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Quando subiu ao trono, em 1325, D. Afonso IV preferia passar o tempo em caçadas.

Um dos seus conselheiros teve a coragem de lhe dizer na cara que era preciso deixar-se de distrac­ções e cumprir os deveres de rei, senão...

"Senão o quê?", perguntou-lhe D. Afonso.

"Senão, não", respondeu o outro.

O rei percebeu. Entrou em guerras com o meio-irmão Afonso Sanches, com o genro castelhano, com os mouros e até com o filho D. Pedro, depois de mandar matar Inês de Castro - mas sempre em nome da razão de Estado e para defender os interesses do reino.

Pela valentia de que deu provas na batalha do Salado passou à história como "o Bravo".

 

É precisamente sobre o episódio da batalha do Salado que nos vamos debruçar a seguir.

 

Ao fim de seis séculos de ocupação, a presença islâmica na Península Ibérica estava em decadência. Foi então que os mouros de Granada, aliados aos de Marrocos, fizeram uma última demonstração de força na Andaluzia, e em 1340 conse­guiram abalar o reino de Castela.

Portugal, onde a Reconquista Cristã fora concluída quase cem anos antes, andava em guerra com os castelhanos mas no momento de perigo D. Afonso IV correu em auxt1io do vizinho.

A participação portuguesa foi fun­damental para a vitória na batalha do Salado, a 30 de Outubro de 1340, que pôs fim à última amea­ça dos muçulmanos em Espanha.

 

Na sequência da guerra que o rei de Granada (Yusef Abdul Hagiag) vinha a travar contra os cristãos desde o ano de 1339, o  mesmo pediu ajuda ao rei de Fez (Abul Hassan) em 1340. O marroquino atravessou o estrei­to de Gibraltar com uma frota de mais de 100 navios e destruiu a armada castelhana. Sem mari­nha para impedir o transporte de guerreiros mouros do Norte de África para a Península, o rei Afonso XI de Castela procurou o auxílio dos vizinhos do Ociden­te.

A tarefa afigurava-se difícil: desde 1336 que Portugal e Castela andavam em guerra.

O casamento de Afonso XI com D. Maria, filha de D. Afonso IV de Portugal, em 1328, devia ter selado uma aliança entre os dois países. No entanto, a relação, mantida publicamente, de Afonso XI com a amante Leonor de Guzman humilhou a princesa portuguesa, que recolheu a um convento. Para vingar a afronta feita à filha, D. Afonso IV invadiu o território do genro, apoiado por importantes nobres castelhanos, incluindo D. Juan Manuel- pai de D. Constança, mulher de D. Pedro, o príncipe herdeiro de Portugal.

O conflito luso-castelhano foi in­terrompido pela ameaça islâmica.

Afonso XI pediu a D. Maria que solicitasse ao pai ajuda militar. D. Afonso IV enviou de Lisboa uma frota comandada pelo almi­rante genovês Manuel Pessanha, que fora contratado ainda no tempo de D. Dinis para reformar a marinha portuguesa.

Mas o rei de Castela precisava de reforços urgentes.

D. Maria foi então ter com o pai a Évora, para lhe pedir que auxiliasse o marido.

D. Afonso IV fez-se rogado mas acabou por aceder.

Reuniu o exército português e, à frente de mil lanças, diri­giu-se a Sevilha.

Dali, no fim de Setembro, os dois reis partiram para Tarifa, no Sul da Andalu­zia, junto à costa. A ci­dade estava cercada pelos merínidas de Mar­rocos, do lado do mar, e pelos mouros de Gra­nada, do lado da mon­tanha.

Os cristãos ficaram impressionados ao ver o número dos inimigos: o cronista diz que "estavam os campos e vales e montanhas cobertas deles". Nos preparativos para a bata­lha ficou acordado que os castelhanos atacariam os marroquinos e os portugue­ses atacavam os de Granada.

A 30 de Outubro, "pela hora prima" (seis da manhã), os cavaleiros de Afonso XI atra­vessaram a ribeira do Salado e deram início à batalha, atacando a cavalaria de Abul Hassan.

Do lado da serra, D. Afonso IV, secundado pelo prior do Crato - D. Álvaro Gonçalves Pereira (pai de Nuno Álvares Pereira) -, pelo arcebispo de Braga, pelo bispo de Évora e pelo mestre de Avis, atacou os granadinos de Yusef Abdul Hagiag.

A lide foi "mui danosa e mui crua e sem piedade", lê-se no Livro de Linhagens do conde D. Pedro.

Pelo meio dia, entre mortos e feri­dos, os muçulmanos abandona­ram o campo de batalha, deixando as bagagens dos reis de Fez e de Granada, incluindo o tesouro e o harém.

Afonso XI convidou o sogro a escolher o que quisesse dos despojos, mas D. Afonso IV levou apenas uma cimitarra e um sobri­nho do rei de Fez como cativo.

Segundo o cronista Rui de Pina, o rei de Portugal respondeu ao genro que "quando de seus reinos viera em sua ajuda, por serviço de Deus e por sua honra e por defesa de sua terra, não fora com intenção dele nem os seus irem ricos, mas honrados e vitoriosos". Depois da batalha do Salada, os muçulmanos da Península acolheram-se aos muros de Granada, de onde acabaram por ser expulsos um século e meio mais tarde pelos Reis Católicos.

2009/4/2

D. SEBASTIÃO “A maravilha fatal da nossa idade”

RetratoD_Sebastiao

Camões chamou a D. Se­bastião "Maravilha fatal da nossa idade". Era um elogio, mas a palavra a reter é "fatal". Do nascimento à morte, o Desejado foi uma figura trágica - e polémica.

Um rei inepto arrastou o País para a derrota numa guerra inútil que decapitou a elite nacional e ditou a perda da independência. Na batalha de Alcácer Quibir, travada a 4 de Agosto de 1578, a inép­cia condenou D. Sebastião não só como chefe militar - comandou mal, perdeu e morreu - mas sobretudo como chefe de Estado: o Desejado que veio dar continui­dade à monarquia portuguesa nem sequer acautelou o primeiro dever de um rei, o de assegurar a des­cendência para garantir a suces­são dinástica. Assim, condenou Portugal a ser herdado por Filipe II de Espanha.

Órfão de pai antes de nascer (o príncipe D. João morreu 20 dias antes do parto, em Janeiro de 1554) e abandonado pela mãe com apenas quatro meses (D. Joa­na de Áustria regressou a Espanha em Maio desse ano), D. Sebastião sucedeu ao avô, D. João III, quando tinha três anos. Enquanto a regên­cia passava da avó, D. Catarina, para o tio-avô, cardeal D. Henrique, o menino cresceu educado por velhos jesuítas fanáticos que o criaram na obsessão religiosa. Mal fez 14 anos, o rei assumiu o poder.

De saúde débil e fraco de espírito, sonhava apenas com batalhas, conquistas e a expansão da Fé, dedicando pouco tempo à governação de tão vasto império, profundamente convicto de que seria o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do Norte de África.

Sebastião começou a preparar a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez. Filipe II de Espanha, seu tio, recusou participar naquilo que considerava uma loucura e adiou o casamento de Sebastião com uma das suas filhas para depois da campanha.

Pôs em marcha o projecto da "jor­nada de África", contra a opinião avisada, mas pouco firme, da maior parte dos conselheiros - designa­damente da Câmara de Lisboa.

Em Junho de 1578 zarpou de Lisboa uma armada de mais de 900 navios, transportando

24 mil soldados, incluindo dois mil mercenários espanhóis, alemães e italianos. A fina flor da nobreza embarcou como se fosse para uma festa Oliveira Martins escre­veu que depois do desastre foram en­contradas 10 mil guitarras nas areias de Alcácer Quibir. Nem faltaram a es­pada e o escudo de D. Afonso Henri­ques, trazidos da Igreja de Santa Cruz de Coimbra.

Na verdade, o que faltou foi a organiza­ção estratégica e táctica de toda a operação militar. A expedição che­gou a Tânger a 7 de Julho e seguiu para Arzila, onde Mulei Mafamede tentou dissuadir D. Sebastião de continuar, com informações de que Mulei Moluco não queria a guerra. O rei não se deixou convencer. Iniciou a marcha pelo deserto, de Arzila para Larache, na costa, mas a certa altura tomou a direcção de Alcácer Quibir, mais para o interior.

Os portugueses estavam esgotados pela caminhada e pelo calor. A seis quilómetros a noroeste da cidade encontraram as forças de Mulei Moluco: 40 mil homens, sobretudo cavalaria (do lado portu­guês havia apenas três mil cavalei­ros). A incapacidade de D. Sebas­tião para o comando revelou-se desastrosa, apesar da bravura dos combatentes. Sucederam-se ordens e contra-ordens. O rei com­bateu com grande valentia.

Perdida a esperança na vitória, decidiu "morrer sim, mas devagar". Viu cair a seu lado o duque de Aveiro, os condes da Vidigueira, do Redondo e de Vimioso, o barão de Alvito e os bispos de Coimbra e do Porto. Reza a lenda que, abrindo caminho à espadeirada, desapareceu. Mas a crónica da Jornada d’el-rei D. Sebastião às Partes de África descreve a sua morte depois de um mouro velho chamado Lauby lhe ter dado uma cutilada que lhe deitou abaixo a sobrancelha direita. O cadáver nunca foi en­contrado.

Na "Batalha dos Três Reis", como lhe chamam em Marrocos, morre­ram também o aliado Mulei Mafa­mede, afogado no rio Mocazim, e o inimigo Mulei Maluco, de doen­ça. Mas só D. Sebastião se tomou um mito.

Tinha 24 anos..

2009/3/25

D. CARLOTA JOAQUINA, Ninfomaníaca, traidora e mulher emancipada

Carlota_Joaquina

Infanta de Espanha, princesa de Portugal, rainha de Portugal, Brasil e Algarves e imperatriz honorária do Brasil, D. Carlota Joaquina é uma das figuras mais enigmáticas e mal­-amadas da História de Portugal. Uma explicação para esse desamor: Carlota Joaquina quis ocupar um lugar decisivo mas es­colheu sempre o "lado errado" da História - que é contada pelos vencedores. Estes não lhe per­doaram e criaram à sua volta uma "lenda negra". Feia de meter medo, ninfomaníaca, adúltera, traidora, ignorante até ao fanatis­mo... a diabolização foi completa, mesmo se exagerada e injusta.

 

Carlota Joaquina casou-se com o príncipe D. João (futuro D. João VI) a 9 de Junho de 1785. Se o noi­vo tinha 18 anos, a noiva era uma menina de 10 (parece que espera­ram até ela fazer 15 anos para consumar o casamento), que passou o resto da infância e a adolescência numa corte estranha, afastada do regaço da família.Apesar desse afasta­mento, a tendência para a promis­cuidade adúltera pode muito bem ter sido herdada da mãe, a rainha Maria Luísa, que passou a vida a enganar o marido, Carlos IV de Espanha, ao ponto de convencer este a nomear primeiro-ministro o amante dela, Manuel Godoy.

O primeiro “pecado" de Car­lota Joaquina foi ter ousado fazer política num mundo de homens, e ter perdido... Perdeu na tentativa de se tornar regente no lugar do marido, na chamada “Conspira­ção dos Fidalgos", em 1805-­1806; perdeu no projecto de se tomar rainha das colónias espa­nholas do Rio da Prata (actuais Argentina e Uruguai), a partir de 1808, alegando a incapacidade do pai, Carlos IV, e do irmão, Fer­nando VII, prisioneiros de Napo­leão; perdeu, por fim, a aposta no “Portugal Velho", absolutista e contra-revolucionário, ao lado do filho D. Miguel na guerra civil. Mas a rainha ficou também na história como um exemplo de escandalosa devassidão sexual, uma mulher cujos insaciáveis ape­tites libidinosos se manifestavam num corpo que roçava a repug­nância. Oliveira Martins retratou-a como uma "megera horrenda e desdentada, criatura devassa e abominável em cujas veias corria toda a podridão do sangue Bourbon, viciado por três séculos de casamentos contra a nature­za". A própria filha, D. Maria Teresa, dizia, temerosa: "É nossa mãe, temos de respeitá-la, mas é pre­ferível sair do seu caminho." Laura Junot, mulher do embaixador francês que mais tarde seria inva­sor de Portugal, ridicularizou-a e sublinhou a sua falta de gosto.

Apesar de o casamento com D. João ter durado 36 anos, a vida em comum foi curta. A partir da conspiração de 1805-06, o prínci­pe perdeu a confiança nela e passaram a viver separados. O ódio entre o casal chegou ao ponto de, quando o seu coche se aproximava do da sua mulher nas estradas que levavam ao Palá­cio de Queluz, D. João gritava, indignado, ao cocheiro: "Volta para trás! Vem aí a puta!" Dos nove filhos do casal, a maior parte dos estudiosos considera provável que o futuro D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal era mes­mo de D. João. Quanto aos outros, é quase certo que um deles devia a sua paternidade ao almoxarife do paço. Dos restantes, diz-se que apresentavam notórias parecenças com vários oficiais da guarda. Muitos foram apontados como amantes de D. Carlota, desde o próprio Junot, passando pelo 6.° marquês de Marialva, pelo almirante inglês Sidney Smith, por Manuel Francisco Rodrigo Sabatini, oficial da guarda de

D. Maria I- até muito mais baixo na escala social: o cocheiro da Quinta do Ramalhão, em Sintra, João dos Santos.

D. João não tinha ilusões, mas, mesmo assim, insistia em manter­-se informado das aventuras amoro­sas da mulher. Um dia desabafou: "Na vida de Carlota, a moralidade morreu..."

[NS-J.Ferreira]

2009/3/6

D. João V, obcecado por freiras e viciado em afrodisíacos....

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D. João V teve os cognomes de “O Magnânimo” e “O Rei-Sol Português”,e alguns historiadores recordam-no também como O Freirático.

 

“O Magnânimo”, dada a gene­rosidade com que abriu mão de enormes fortunas, tanto para engrandecer a coroa como para satisfazer os seus caprichos pessoais. Além de monumentos como o Convento de Mafra e o Aqueduto das Águas Livres, que ainda hoje recordam o seu nome, gastou os pro­ventos do Império na Guerra da Sucessão de Espanha, na batalha do Cabo Matapan contra os turcos, e na

obtenção do Patriarcado para Lisboa, que incluiu a célebre embaixada ao papa Clemente XI, em 1716.

 

“O Rei-Sol Português”, em virtude do luxo de que se revestiu o seu reinado.

Diz Veríssimo Serrão em «História de Portugal» que «era senhor de uma vasta cultura, bebida na infância com os padres Francisco da Cruz, João Seco e Luís Gonzaga, todos da Companhia de Jesus. Falava línguas, conhecia os autores clássicos e modernos, tinha boa cultura literária e científica e amava a música. Para a sua educação teria contribuído a própria mãe, que o educou e aos irmãos nas práticas religiosas e no pendor literário.»

Segundo o historiador Oliveira Martins, “D. João V perdia a cabeça por todas as mulheres, mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula”.

A verdade é que nesse tempo a vocação era uma das últimas razões para as mulheres irem para freiras e as visitas aos conventos faziam parte da etiqueta social. O convívio proporcionava intimi­dade, os relacionamentos amo­rosos eram conhecidos e, desde que praticados com discrição, aceites. Era frequente um nobre "ter" a "sua" freira, com quem se correspondia, a quem visitava no convento onde se trocavam presentes - muitas vezes poemas por doces conventuais (ainda hoje têm fama a marmelada de Odivelas e o pudim da madre Paula) - e onde as celas se transformavam em alcovas.

O exagero dessa prática, denunciada - com objectivos opostos - por moralistas e liber­tinos, tomou-se escandaloso.

Odivelas era um local assiduamente frequentado pela nobreza da corte na época em que Paula se tornou freira, e não faltariam, portanto, oportunidades para D. João V e os titulares que o rodeavam se deslocarem ao local.

Terá sido por esta altura que começaram os encontros entre o rei e Paula Teresa da Silva, uma vez que D. José de Bragança nasce, em Lisboa, no dia 8 de Setembro de 1720. Sobre a forma como se conheceram, existem versões sem grande credibilidade

Da relação com a madre Paula uma enorme riqueza gasta para transformar uma modesta cela conventual em aposentos dignos de uma rainha.

O Palácio Pimenta, ao Campo Grande, onde hoje está instalado o Museu da Cidade de Lisboa, foi mandado construir por D. João V para a mesma amante. Os relatos que corriam na corte sobre o luxo da madre Paula, as sua mobílias preciosas, as roupas e as jóias impressionaram o via­jante suíço César de Saussure, que referiu a ligação do rei e da freira no livro sobre a sua visita a Portugal, em 1730.

Mas D. João V teve outros filhos ilegítimos:

D. António, filho de uma francesa de nome desconhecido, mas que, segundo outros historiadores, seria filho de  D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro. Doutorou-se em Teologia e veio a ser cavaleiro da Ordem de Cristo.

D. Gaspar, filho de uma religiosa, D. Madalena Máxima de Miranda (Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques). Veio a ser arcebispo primaz de Braga.

Este dois, juntamente com D. José, filho da religiosa madre Paula de Odivelas (Paula Teresa da Silva), e que exerceu o cargo de Inquisidor-mor, ficaram conhecidos pelos “Meninos de Palhavã”.

A expressão deriva do facto de terem habitado no palácio do marquês de Louriçal, na zona de Palhavã, na altura arredores de Lisboa mas que hoje se situa em plena cidade (o edifício - denominado Palácio da Azambuja - é hoje a Embaixada de Espanha em Lisboa, ou "Palácio dos Meninos de Palhavã"). Receberam educação em Santa Cruz de Coimbra sob o preceptorado de Frei Gaspar da Encarnação para se fazerem religiosos

 

Semi-clandestinos, semi-escan­dalosos, os amores ilícitos de D. João V produziram, além dos "Meninos de Palhavã", D. Maria Rita, que não foi reconhecida, e acabou por ir para. .. freira.

Era filha de D. Luísa Clara de Portugal, que passou à história com o cognome da sua casa:

a Flor da Murta.

 

Madre Paula sobreviveu 35 anos ao amante, sempre tratada com a maior consideração. No século XX, o convento de Odivelas foi trans­formado em colégio feminino, para as filhas de oficiais das Forças Armadas

 

A obsessão de D. João V pelo sexo levou-o ao uso descontrolado de afrodisía­cos, designadamente cantáridas, que lhe minaram a saúde e apres­saram a morte.

O Rei faleceu em 31 de Julho de 1750 após quase meio século de governo. Jaz no Panteão dos Braganças, ao lado da esposa, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.

 

 

2009/1/23

D. FERNANDO, O INFANTE QUE FOI “SANTO” À FORÇA

 

No meu livro da 4ª classe aprendi que “ D. Fernando pediu insistentemente que não se entregasse a praça de Ceuta, como os moiros impunham por condição do seu resgate, dando assim um belo exemplo de amor à Pátria”.

Anos mais tarde cheguei à conclusão que tinha andado iludido.

Na realidade, o infante pediu repe­tidamente que lhe salvassem a vida - foi "santo' à força.

Vejamos os factos:

Em 1437 D. Fernando participa numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão mais velho o Infante D. Henrique, mas com o voto desfavorável dos outros infantes, Pedro, Duque de Coimbra e João, Infante de Portugal.

A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabelece-se uma rendição pela qual as forças portuguesas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta (conquistada pelos portugueses em 1415).

De regresso a Portugal, D. Henrique deu conta ao rei do desaire e do compromisso que assumira.

Perante a gravidade da situação - entregar Ceuta, significava renunciar à primeira conquista em África - D. Duarte decidiu convocar a assembleia mais importante do reino.

Nas Cortes reunidas em Leiria, os representantes do clero, da nobreza e dos concelhos começaram por ouvir a leitura de uma carta enviada de Arzila, para onde D. Fernando tinha sido levado. Na mensagem, o infante dirigia-se ao rei pedindo-lhe que cumprisse o acordo assumido por D. Henrique: que entregasse Ceuta e o libertasse.

Os infantes D. Pedro (futuro re­gente do reino) e D. João, com alguns fidalgos e a maior parte dos procuradores dos concelhos (o "povo") manifestaram-se pela entrega de Ceuta e pela libertação de D. Fernando.

Outro grupo manifestou-se a favor do resgate do infante por outros meios, diplomáticos e militares, in­cluindo nova expedição a Marrocos que obrigasse os mouros a libertá­-lo; não punha de lado, no entanto, a hipótese de entregar Ceuta.

O arcebispo de Braga, D. Fernando da Guerra (bisneto de D. Pedro e D. Inês), apoiado pela maioria do clero, opôs-se à entrega de Ceuta sem licença do Papa, uma vez que se tratava de terra cristã que não deveria voltar a ser muçulmana. A maioria dos nobres, encabeçada pelo conde de Arraiolos (depois duque de Bragança), recusou em definitivo entregar Ceuta.

O infante D. Henrique não foi às Cortes de Leiria. Os participantes apontaram-lhe responsabilidades pelo falhanço de Tânger e cen­suraram a sua inabilidade como chefe militar. Apesar disso, encon­trou-se a sós com o rei e deu-lhe o seu parecer: Ceuta não devia ser entregue em nenhum caso. D. Duarte morreu de peste meses depois, em Setembro de 1438, com 46 anos. No seu testamento deixou a vontade de libertar o irmão, ainda que em troca de Ceuta.

Fernando foi entretanto levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo patético, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta.

O infante D. Pedro, regente em nome do menino D. Afonso V, tentou negociar a sua libertação. A correspondência com D. Fernan­do manteve-se até, pelo menos, 1442 - data da última carta que mandou a D. Pedro. "Sempre pen­sei que antes da morte vos veria", escreveu.

Morreu de disenteria, em Junho ou Julho de 1443, com 40 anos.

Quando D. Afonso V conquistou finalmente Tânger, em 1471, os restos mortais de D. Fernando foram trasladados para o mosteiro da Batalha, onde hoje repousam ao lado dos pais e irmãos, na Capela do Fundador.

2009/1/11

D. PEDRO I, O REI CRUEL, OBCECADO E BISSEXUAL

dom pedro I
Em Fevereiro de 1355, Portu­gal era cenário de uma pavorosa guerra civil.
D. Pedro ,o herdeiro do trono, atacava pro­víncias inteiras, conquistava cas­telos, arrasava terras de cultivo.
O motivo de tamanha fúria?
O pai, D. Afonso IV, mandara matar a sua amante, Inês de Castro.
Inês era filha de um nobre galego, Pedro Fernandez de Castro, e chegara a Portugal em 1340, como dama de companhia da mulher do infante D. Pedro, D. Constança Manuel.
Muito bela, em breve Inês tornou-se amante de D. Pedro.
Talvez para acabar com a relação entre a amiga e o marido, D. Constança convidou-a para madrinha do seu segundo filho, D. Luís, que morreu com menos de um mês.
A própria D. Constança morreu pouco depois de dar à luz o futuro rei D. Fernando, em 1345.
Viúvo, D. Pedro assumiu o concubi­nato, para escândalo da corte.
A paixão por Inês era apontada como a razão do desinteresse do infante pelos assuntos do governo, num país assolado pela Peste Negra.
A união entre o futuro rei e a fidalga galega poderia ter graves conse­quências políticas. Inês teve qua­tro filhos de D. Pedro, dos quais sobreviveram três, incluindo dois varões (D. João e D. Dinis).
Seu pai, D. Afonso IV, com receio de que a relação de D. Pedro com Inês pusesse em causa os direitos de D. Fernando, herdeiro legítimo de D. Pedro (os irmão de Inês constituíam uma ameaça devido à sua influência em Portugal), dá ouvidos aos seus conselheiros Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pache­co - este último conhecido ini­migo dos Castros - e manda-os matar Inês.
Os três degolaram-na em Coimbra, a 7 de Janeiro de 1355, enquanto D. Pedro andava à caça.
Quando a viu morta, desencadeou uma guerra civil que só terminou em Agosto de 1356.
D. Afonso IV morreu no ano seguinte.
Obceca­do pela vingança, o novo rei fez um acordo de extradição com o primo do mesmo nome - Pedro I, "o Cru", rei de Castela -, a quem entregou dois nobres castelhanos exilados em Portugal em troca de Álvaro Gonçalves e de Pêro Coelho, que se tinham refugiado naquele reino.
Diogo Lopes Pa­checo fugiu para França e salvou-se.
Os dois assassinos foram levados para Santarém, onde D. Pedro, segundo relata Fernão Lopes, "a Pêro Coelho mandou arrancar o coração pelo peito e a Álvaro Gonçalves pelas espá­duas. E tudo o que se passou seria coisa dolorosa de ouvir. Finalmente el-rei mandou-os queimar. E tudo foi feito diante dos paços onde ele estava, de maneira que, enquanto comia, olhava o que mandava fazer".
Em Julho de 1360, D. Pedro surpreendeu a corte ao afirmar que, seis anos antes, casara secretamente com Inês de Castro. Pouco depois mandou trasladar os restos mortais desta para o Mosteiro de Alcobaça.
O trauma causado pela morte brutal da amante ajuda a explicar alguns traços do carácter de D. Pedro, que aliás se revelou um bom rei: manteve a paz externa
e consolidou a independência de Portugal face à Igreja através do 'beneplácito régio', que fazia de­pender da autorização real a divul­gação dos documentos do Papa.
Os historiadores hesitam no cognome de D. Pedro: se para uns foi "o Justiceiro", para outros foi "o Cru", como o primo caste­lhano.
A sua ânsia em fazer justiça ficou manchada pelo prazer em executá-la pelas próprias mãos, incluindo a participação na tortura dos presos: "Ele mesmo punha em eles a mão, quando via que confessar não queriam, ferindo-os cruelmente até que confessa­vam", lembra Fernão Lopes.
O tormento fazia parte da justiça medieval e D. Pedro, epiléptico e gago, fez por merecer ambos os cognomes com que passou à história.
Além de D. Constança Manuel, Inês de Castro e Teresa, Pedro teve pelo menos mais uma paixão: o escudeiro Afonso Madeira, a quem "amava mais do que se deve aqui dizer", no dito maroto de Fernão Lopes.
O escudeiro acabou mal. Meteu­-se com uma dama da corte, o rei não gostou e - outra vez Fernão Lopes - mandou "cortar­-lhe aqueles membros que os homens em mais apreço têm". Do mal o menos: ':Afonso Madei­ra foi pensado e curou-se mas engrossou nas pernas e no cor­po e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba".
D. Pedro reinou durante dez anos, conseguindo ser extremamente popular, ao ponto de dizerem as gentes «que taaes dez annos nunca ouve em Purtugal como estes que reinara elRei Dom Pedro».
2008/12/15

INFANTE D. PEDRO (Chacinado por ordem do rei, seu sobrinho e genro)

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Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, o Infante D. Pedro foi considerado um dos melhores governantes da História de Portugal.

 

Regente do reino, esteve à frente dos destinos do País entre 1439 e 1446, sete anos de paz e prosperidade, em que foi dado um forte impulso aos Descobrimentos. A aposta na política de exploração marítima e comercial em detrimento da conquista militar em Marrocos foi precisamente uma das razões da tragédia familiar (e nacional).

Em 1415 acompanha o pai na conquista de Ceuta e é feito cavaleiro no dia seguinte à tomada da cidade. É nesta altura que lhe é conferido o ducado de Coimbra.

A nobreza senhorial não perdoou ao infante a humilhação sofrida nas Cortes de Lisboa de 1439. Nessa altura, o povo amoti­nou-se em várias cidades e forçou a atribuição a D. Pedro da re­gência que, desde a morte de D. Duarte, no ano anterior, estava nas mãos da rainha D. Leonor, mãe de D. Afonso V, então um menino de sete anos.

Entre 1424 e 1428, o infante D. Pedro fizera uma longa viagem pela Europa, durante a qual percorreu os Estados mais impor­tantes do tempo e tomou conhe­cimento directo dos principais centros comerciais e financeiros de então. Esta viagem valeu a D. Pedro o cognome do Infante das Sete Partidas do Mundo.

Em 1429 casa com a princesa D. Isabel de Aragão, condessa de Urgel.

Quando foi chamado a pronun­ciar-se sobre o destino do irmão D. Fernando (o Infante Santo), refém dos mouros que preten­diam trocá-lo por Ceuta, D. Pedro defendeu a entrega da praça mar­roquina.

Apesar do apoio que recebera do povo, desde os ricos mercadores à plebe de Lisboa e do Porto, D. Pedro governou sempre com cuidado para não afrontar a nobre­za. Concedeu grandes privilégios ao irmão D. Henrique e até àquele que viria a revelar-se seu inimigo mortal, o meio-irmão D. Afonso (conde de Barcelos): foi o regente que lhe deu o titulo de duque de Bragança. Ao mes­mo tempo, casou o jovem rei D. Afonso V com a sua filha Isabel e nomeou condestável (coman­dante supremo do exército) outro ­filho, também chamado Pedro.

EM 1446, D. Afonso V fez 14 anos, a maioridade para reinar. Nos dois anos seguintes, deixou­-se influenciar cada vez mais pelos nobres que o rodeavam e não per­diam a mais pequena oportunida­de de intrigar contra o ex-regente. Magoado com o que considerava a ingratidão do sobrinho e genro por dar ouvidos aos caluniadores, D. Pedro abandonou a capital em 1448 e foi viver para os seus domínios de Coimbra.

Apanhan­do-o fora da corte, os inimigos voltaram à carga, chegando a acusá-lo de ter mandado enve­nenar a rainha mãe. Circularam cartas falsas, "assinadas" quer por D. Pedro quer pelo rei, que gelaram as relações entre ambos.

No principio de Abril de 1449, D. Afonso V chamou à corte o duque de Bragança. Este saiu de Trás-os-Montes com três mil homens armados que, no caminho para Lisboa, deviam atravessar as terras de D. Pedro. Mal o meio-irmão se aproximou dos limites do ducado de Coimbra, o infante enviou-lhe um emissário intimando-o a arrepiar caminho, sob pena de ter de enfrentar as suas próprias tropas. O duque de Bragança foi obri­gado a fazer o desvio - e mal chegou à capital queixou-se ao rei. D. Afonso V reuniu o seu conselho, que considerou D. Pedro rebelde e desleal.

O exército real pôs-se em marcha.

Informado, D. Pedro dirigiu-se a Lisboa com os seus homens.

Os dois exércitos encontraram-se junto à ribeira de Alfarrobeira, nas cercanias de Alverca, no dia 20 de Maio. As tropas do rei, muito superiores, esmagaram os parti­dários de D. Pedro que morreu no combate, aos 56 anos. A crueldade adolescente de D. Afonso V, à data com 17 anos, foi ao ponto de recusar sepultura ao corpo do tio e sogro.

2008/11/10

TRAÍDO PELA MULHER E ROUBADO PELO IRMÃO

 
 
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Quando subiu ao trono, em 1223, D. Sancho II tinha apenas 14 anos.
Passou a maior parte do reinado em guerra contra os mulçumanos e, por causa disso, desprezou as tarefas do governo.
Embora ninguém pudesse contestar a sua valentia - aumentou o território nacional pela conquista de um número significativo de castelos aos  mouros -, ganhou a triste fama de mau rei, governante incapaz, marido impotente e enganado pela mulher.
O reino caíu na desordem, infestado por bandos de salteadores.
Nobres e bispos acusaram o monarca de "não fazer justiça nenhuma" - e queixaram-se ao papa da sua incompetência para exercer a autoridade.
O mal-estar geral aumentou quando o rei se casou com uma nobre espanhola, D. Mécia Lopes de Haro, de quem era ainda primo.
D. Mécia já tinha sido casada, mas ficara viúva muito nova.
O povo, que vivia na miséria, passou a odiar a rainha - estangeira, bela e rica.
Os nobres e bispos escreveram ao papa denunciando a situação e, em Fevereiro de 1245, Inocêncio IV declarou nulo o casamento e ordenou que o casal se separasse.
D. Sancho não se vergou e os seus inimigos, chefiados pelo irmão mais novo do rei, D. Afonso, casado com a condessa de Bolonha, redobraram a intriga junto do papa.
Este, pela Bula "Grandi non immerito" depôs D. Sancho II, declarando que os portugueses já não lhe deviam obediência, mas sim a D. Afonso, "o Bolonhês".
O rei resistiu e a guerra civil indendiou o país.
Em 1246 sofreu, no entanto, um golpe fatal.
Um pequeno grupo de cavaleiros chefiado por Raimundo Portocarreiro, "o Torres", um dos principais apoiantes de D. Afonso, entrou no paço e, com a ajuda de Martim Gil de Soverosa, homem de confiança de D. Sancho, raptou a rainha.
Mal soube que D. Mécia fora levada para o castelo de Ourém, D. Sancho, que na altura se encontrava reunido com a corte em Coimbra, reuniu um pequeno exército para libertá-la.
A vila foi cercada e o rei preparava-se para recuperar a mulher, quando ela se recusou a voltar para ele, assumindo a adesão ao partido de D. Afonso.
O escândalo foi tremendo.
D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em concluio com o cunhado.
A recusa  em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao runor de que D. Sancho era impotente.
O rei partiu para o exílio, em terras de Fernando III de Castela, seu primo, onde acabou por morrer.
Sucedeu-lhe o seu irmão que passou a usar o nome de D. Afonso III.
D Mécia foi de Ourém para a Galiza e dali para Castela onde morreu.
 
 (in histórias da História-NS de João Ferreira)
2008/10/30

O MITO DO FILHO QUE BATEU NA MÃE

 
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Ligado à batalha de S. Mamede surgiu um dos mais persistentes mitos da História de Portugal: "o do filho que bateu na mãe".
Depois do combate, o vitorioso Afonso teria mandado prender D. Teresa em condições que esta descreveu assim, na versão transcrita pela IV Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra:
"Afonso Anriques, meu filho, prendeste-me e metestes-me em ferros Rogo a Deus que preso sejades, assi como eu sõo.
E porque me metestes nos meus pees ferros, quebrantadas sejam as tuas pernas com ferros e deserdaste-me da terra que leixou meu padre,
e quitastes-me de meu marido.
E mande Deus que se compra esto".
 Esta " praga" assenta que nem uma luva aos factos ocorridos em 1158, quando D. Afonso Henriques cercou Badajoz, a cidade mais importante em todo o ocidente da Península, então em poder dos mouros Almóadas.
O rei de Portugal e o seu cabo de guerra Geraldo Sem-Pavor estavam prestes a tomá-la quando foram apanhados entre dois fogos - pelos reforços mouros vindos de Sevilha e dos leoneses de Fernando II, em socorro... dos mulçumados.
Afonso Henriques, ao fugir, partiu uma perna contra um ferrolho de um portão - como "profetizara" D. Teresa.
Preso, o rei português teve de jurar ao rei de Leão (seu futuro genro) que renunciava às terras a norte do rio Minho, antes de poder ir curar a perna nas água sulfurosas das termas de S. Pedro do Sul.
Esta curiosidade àcerca da vida de D. Afonso Henriques, estaria muito certa, se a "maldição" não tivesse sido posta, pelo cronista, na boca de D. Teresa muitos anos depois da batalha de S. Mamede e do desastre de Badajoz.
Na verdade, a derrota da mãe saldou-se por uma retirada com toda a segurança para as terras dos Trava, na Galiza, onde D. Teresa acabou por morrer em 1130.
 
(in histórias da História-NS de João Ferreira)
 
2008/10/5

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

 
 
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Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910 alguns militares da Marinha e do Exército iniciaram uma revolta nas guarnições de Lisboa, com o objectivo de derrubar a Monarquia.
Juntamente com os militares estiveram a Carbonária e o as estruturas do PRP (Partido Republicano Português).
Na tarde desse dia, José Relvas, em nome do Directório do PRP, proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa.
No dia 6 o novo regime foi proclamado no Porto e, nos dias seguintes, no resto do país.
Em Braga foi-o no dia 7, tendo tomado posse da Câmara o Dr Manuel Monteiro.
Apesar de o 5 de Outubro não ter sido uma verdadeira revolução popular, mas sobretudo um golpe de estado centrado em Lisboa, a nova situação acabou por ser aceite no país e poucos acreditaram na possibilidade de num regresso à Monarquia.
Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa.
As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis.
A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma as cinco chagas de Cristo.
O hino A Portuguesa , composto por Alfredo Keil tornou-se o hino nacional.
 
PERSONAGENS DO 5 DE OUTUBRO
D. MANUEL II:
Último Rei de Portugal, sucedeu a D. Carlos I após o seu assassinato em 1908.
Tentou no seu breve reinado apaziguar a vida política, mas sem grande sucesso.
Foi acusado de falta de firmeza e de ser manipulado pela Raínha Mãe.
A partir de 1910 vive em Londres, no exílio, onde desenvolveu diversos interesses ligados à cultura portuguesa (por exemplo, na classificação de livros antigos). Morreu no exílio em 1932.
MANUEL DE ARRIAGA:
Poeta, advogado, foi um dos principais ideólogos da República.
Foi o primeiro presidente da República eleito, cargo que abandonou desiludido em 1915.
Morreria dois anos depois.
TEÓFILO BRAGA:
Nasceu em 1843.
Foi professor e escritor, tendo deixado uma vasta obra.
Fundador do Partido Republicano, tornou-se em 1910 Presidente do Governo Provisório Republicano e em 1915 o segundo Presidente da República eleito.
MIGUEL BOMBARDA:
Médico, membro do grupo de conspiradores do 5 de Outubro.
Foi assassinado no dia 3, por um doente.
CÁNDIDO DOS REIS:
Almirante republicano, próximo da Carbonária, foi o estratega militar do 5 de Outubro.
Suicidou-se na madrugada do dia 4, pensando que a revolução abortara.
JOSÉ RELVAS:
Membro influente do Partido Republicano, fez em seu nome a proclamação do novo regime em 5 de Outubro de 1910.
AFONSO COSTA:
Uma das pessoas mais activas na instauração da República e no período seguinte.
Foi várias vezes Primeiro Ministro e Ministro das Finanças.
Ficou conhecido pelas suas posições radicais, em particular contra as Ordens Religiosas e a Igreja Católica, o que explica a sua alcunha: o "Mata Frades".
Morreu no exílio, em 1937, onde participou na resistência à ditadura salazarista.