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2009/11/18 ANTÓNIA RODRIGUESNatural da Freguesia da Apresentação, em Aveiro, Antónia Rodrigues, também conhecida como Antónia de Aveiro, era filha de Simão Rodrigues, marinheiro, e de Leonor Dias. Seu pai dedicava-se à vida marítima e, ao que parece, fez algumas viagens à Terra Nova, quando da barra de Aveiro saía anualmente para aquelas paragens um grande número de embarcações para a pesca do bacalhau. A mãe tratava dos trabalhos domésticos, sempre pesados e sempre complicados, porque era grande a sua prole. Os trabalhos marítimos, as doenças e não poucas contrariedades acabrunharam demasiadamente Simão Rodrigues que, rodeado de filhos e de miséria, se viu obrigado a mandar esta filha para Lisboa, onde haveria de viver com uma irmã, cujo nome se ignora, mas que lá estava casada e em melhores circunstâncias. Pouco depois de haver chegado a Lisboa, manifestou um génio altivo e sempre impróprio da sua idade e da sua humilde posição. Repugnavam-lhe os trabalhos domésticos e recusava-se a executar os que eram próprios do seu sexo. Em virtude da sua índole livre e insubmissa, tanto a sua irmã como o cunhado, admoestavam-na, repreendiam-na, chegando mesmo a ameaçá-la e espancá-la. O procedimento daqueles cônjuges não abateu o génio irascível de Antónia Rodrigues, que fugia de casa com muita frequência. Decidiu então, em 1593, radicalizar a sua forma de vida, disfarçou-se de homem, adoptou o nome de António Rodrigues e conseguiu emprego na tripulação de um navio carregado de trigo, que zarpou para a possessão portuguesa de Mazagão, em Marrocos. Ela própria cortou os seus cabelos e, vestida com as roupas que havia comprado, apresentou-se ao capitão da caravela, pedindo-lhe que admitisse António Rodrigues, como simples grumete e sem remuneração, além do frugal sustento, que durante a viagem poderia receber como qualquer dos seus companheiros. O capitão estimava o grumete e, tanto na viagem como em terra, afirmava que António Rodrigues viria a ser um grande náutico, que muito havia de honrar a marinha portuguesa. Mas o grumete não quis voltar na mesma caravela e, desejoso de novas e variadas empresas, despediu-se do capitão, que manifestou por isso um íntimo desgosto. Sem incidente notável, entrou a caravela em Mazagão. O jovem grumete tratou de despedir-se do serviço marítimo. Nem todos os escritores estão de acordo quanto aos motivos que levaram o jovem grumete a tomar esta decisão. Ou o próprio capitão despediu o grumete, por já não precisar do serviço deste; ou este se deu por despedido, por querer entrar em aventuras, seguindo outro modo de vida. Posteriormente, dirigiu-se ao governador militar da praça e tratou de alistar-se, como simples soldado. O governador aceitou essa voluntária proposta, admirando a beleza e a elegância daquele jovem aveirense. Mazagão era uma praça do império de Marrocos, na Província de Duquela, distante dez quilómetros de Azamor. Pertenceu, desde 1502, aos portugueses, que logo a fortificaram e a fizeram ocupar militarmente. Em 1769, foi abandonada aos mouros, depois de lhe serem destruídas as fortalezas. Em 1562, fizeram ali os mouros diversas tentativas, para se apossarem da praça, mas num encontro foram vergonhosamente repelidos. António Rodrigues, agora como soldado, mostrava-se sempre intrépido nos combates e hábil no manejo das armas, pelo que chegou a ser incumbido do comando de algumas tropas em diversos recontros. Um dia soube que os mouros pretendiam fazer uma sortida de noite aos campos mais próximos e destruir as searas, que então estavam muito abundantes e quase maduras. Animou-se pelo ensejo de alcançar maior glória e pediu ao governador da praça que lhe entregasse um troço de tropas, para, sob o seu comando, fazer uma derrota completa nas hostes mauritanas. O governador acedeu ao pedido, esperando que António Rodrigues cumpriria com valor o que prometera por dedicação. Quando os mouros menos os esperavam, aparece o jovem militar com a sua tropa e com tanta valentia se houveram os portugueses, e tão bem comandados foram, que os invasores tiveram de fugir feridos e envergonhados. António Rodrigues entrou em Mazagão, ouvindo as aclamações de vitória e recebendo os maiores elogios. Por este e já por outros feitos foi elevado a oficial, sendo então integrado à cavalaria da praça. Pelas suas seguidas e brilhantes actuações militares, ficou conhecido como o terror dos mouros e ganhou a estima e o respeito de todos.
Não poucas damas se apaixonaram por António Rodrigues e ele facilmente deixava alimentar essas paixões, para assim poder mais facilmente encobrir a verdade do seu sexo. Entre aquelas damas, conta-se principalmente D. Beatriz de Meneses, filha de D. Diogo de Mendonça, um dos principais fidalgos, dos que então viviam em Mazagão. E tanto se apaixonou que adoeceu gravemente, chegando o pai, que muito a estimava, a recear que ela sucumbisse. D. Diogo entendeu-se com o governador da praça, insinuando-lhe que obrigasse António Rodrigues a desposar D. Beatriz. Chamado o jovem oficial à presença do governador e tendo ouvido a proposta do casamento, corou, tremeu e perdeu completamente a coragem. Depois de muita insistência por parte do governador, Antónia Rodrigues pediu para que não a castigassem; e, entre soluços, declarou que não era homem. Contou então toda a sua história e pediu perdão, por haver vivido com tal disfarce. O governador fez logo espalhar por toda a praça aquela notícia. Antónia Rodrigues vestiu os trajes do seu verdadeiro sexo e foi levada pelas ruas de Mazagão, ouvindo as aclamações do povo, que lhe dava o epíteto de cavaleira aveirense. Logo que se soube o verdadeiro sexo de Antónia Rodrigues, como era formosa e inteligente, não faltaram pretendentes que a desejassem para esposa. Entre eles escolheu Antónia um brioso oficial, cujo nome se ignora. O seu casamento foi celebrado com grandes festejos, assistindo ao acto as pessoas de posição mais elevada. Quando Antónia Rodrigues tinha trinta e cinco anos, voltou para Portugal, em companhia de seu marido e de um filho, que ainda era criança. Pouco depois ficou viúva. El-rei D. Filipe, II de Portugal e III de Espanha, achava-se então em Lisboa e desejou muito conhecê-la. Efectivamente, foi-lhe apresentada Antónia Rodrigues. O monarca muito admirou e bem recebeu a célebre heroína, que a recompensou pelos serviços prestados, conferindo-lhe diversas condecorações reais tanto a ela como a sua família. A partir de então a sua vida ficou envolta em mistério e pouco se sabe sobre seus dados familiares. Não se sabe onde nem em que data faleceu esta heroína aveirense, assim como nada se sabe a respeito do filho, nem se este deixou descendência. É possível que a mãe e o filho houvessem falecido em Madrid, onde então era a Corte.
(Pesquisa e adaptação a partir de vários sites da internet) 2009/10/6 RAINHA D. LEONOR, A FUNDADORA DAS MISERICÓRIDAS
Quando morreu, a 17 de Novembro de 1525, a rainha D. Leonor era uma das pessoas mais ricas de Portugal. Conheceu de perto quatro reis: o tio D. Afonso V, o primo e marido D. João II, o irmão D. Manuel I e o sobrinho D. João III. Foi responsável pela maior rede de assistência social de que há memória em Portugal - as misericórdias - ao criar, em 1498, a primeira delas, a Misericórdia de Lisboa. Por ironia da história, a mulher que fundou a mais importante obra de caridade do país foi acusada pelo historiador Anselmo Braamcamp Freire de ter cometido uma "feíssima falta de caridade": negou-se a acompanhar os últimos momentos do marido, que morreu aos 40 anos, com suspeitas de ter sido envenenado.
D. Leonor nasceu na mais alta nobreza de Portugal. Era filha do infante D. Fernando e de D. Brites (ou Beatriz), neta paterna do rei D. Duarte e neta materna do primeiro duque de Bragança, D. Afonso. Muito cedo começou a acumular uma fortuna pessoal fabulosa. Aos 12 anos casou com o primo, o príncipe herdeiro D. João, mas só aos 15 foi assinado o Contrato matrimonial. Nessa altura, em Setembro de 1473, o irmão D. Diogo (uma vez que o pai já tinha morrido) deu-lhe de dote a vila e fortaleza de Lagos, avaliada em 10 mil cruzados de ouro, além das jóias e do enxoval que lhe foram dados pela mãe. O sogro e tio D. Afonso V atribuiu-lhe rendas em Lisboa, Sintra, Torres Vedras e Óbidos. Ainda na qualidade de princesa foi-lhe doada a vila de Sintra e, pouco depois de subir ao trono, em 1481, o marido doou-lhe, "sem no-lo ela pedir, nem outrem por ela", Aldeia Galega, Aldeia Gavinha, Alenquer, Alvaiázere, Óbidos, Torres Novas e Torres Vedras. Em 1484, a política nacional e a vida familiar de D. Leonor sofreram um choque: D. João II, que no ano anterior mandara executar por traição o duque de Bragança (primo de ambos), esmaga uma nova conspiração de nobres, assassinando pelas próprias mãos a golpes de punhal o seu cunhado D. Diogo, duque de Viseu. A rainha ficou destroçada com a morte do irmão. Durante muito tempo viveu no temor de que a vingança do marido fosse extensiva ao seu outro irmão, D. Manuel, duque de Beja. Este não se poupou a esforços para garantir as boas graças de D. João II e ofereceu à rainha 100 arráteis de açúcar da Madeira, por ano. A morte do filho D. Afonso - o único que chegou à idade adulta; tinha tido outro que morrera à nascença -, na sequência da queda de um cavalo, em Julho de 1491, foi outro abalo para D. Leonor. O príncipe herdeiro tinha casado no ano anterior com uma filha dos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, e era a esperança de uma Península Ibérica unificada sob um rei português. A mágoa pela perda do filho tornou-se mais dolorosa com a tentativa de D. João II de legitimar um bastardo, D. Jorge, e fazer dele o herdeiro da coroa. D. Leonor opôs-se, manobrou - e conseguiu manter o seu irmão D. Manuel na primeira linha da sucessão. A vida conjugal do par real não resistiu ao litígio. Quando D. João II, já doente, foi para o Algarve a conselho dos médicos, a rainha não o acompanhou. E quando o rei agonizou, em Alvor, em Outubro de 1495, recusou-se a ir ter com ele e a assistir à sua morte.
Viúva aos 37 anos, D. Leonor foi alvo de todas as atenções por parte do novo rei, D. Manuel I, ciente de que devia a coroa - e talvez até a vida - à irmã. Além de acrescentar com novas terras e rendas o seu património pessoal, mostrou o apreço em que a tinha ao nomeá-la regente durante a viagem que fez a Castela em 1498. Foi nesse ano e em nome do irmão que D. Leonor criou, com o apoio do seu confessor, frei Miguel Contreiras, e de D. Jorge da Costa, o cardeal Alpedrinha, a primeira Misericórdia portuguesa. Outras se seguiram em todo o reino, sempre de acordo com "compromissos" decalcados do original: a prática das "14 obras de Misericórdia", tanto espirituais como corporais. Morreu em 1525, com 67 anos, no palácio de Xabregas, e está sepultada no Convento da Madre de Deus, em Lisboa.
(J. Ferreira - in NS de 22-11-2008)
2009/5/25 D. CATARINA DE BRAGANÇA E AS INFIDELIDADES DO MARIDOO casamento entre a princesa D. Catarina de Bragança (1638-1705), filha de D.João IV, e o rei Carlos II de Inglaterra foi uma vitória para a diplomacia portuguesa na Guerra da Restauração contra a Espanha. A cerimónia realizada em Portsmouth, a 30 de Maio de, contribuiu para o reconhecimento pelas potências europeias da independência reconquistada em 1640. Uma consequência imediata foi a chegada a Portugal de 2700 soldados ingleses bem preparados, que foram guarnecer o Alentejo, onde a guerra era mais acesa. Apesar do brilho da boda, o enlace não foi feliz. A princesa tinha 23 anos e ia partir para um casamento destinado a durar outros 23. Saiu de Lisboa com grande pompa, a bordo do navio Royal Charles, comandado pelo conde de Sandwich (o inventor da sanduiche), escoltada por uma frota de 20 barcos de guerra. Mas logo à chegada a Inglaterra, a 25 de Maio, houve um percalço: o noivo não estava no porto para a receber. Isso e uma infecção que D. Catarina apanhou na garganta atrasaram a cerimónia quase uma semana. A entrada solene em Londres só ocorreu a 2 de Setembro.
Pouco depois do casamento, já Carlos " voltava a exibir em público a sua amante principal - Barbara Villiers, conhecida por Lady Palmer, mais tarde duquesa de Cleveland, mãe de cinco dos 12 filhos bastardos do rei. D. Catarina foi persuadida pelos seus conselheiros a aceitá-la como dama de companhia. Ao longo dos anos seguintes a rainha sofreu vexames e humilhações, sobretudo devido à influência viperina de outra concubina real, a francesa Louise de Keroualle, duquesa de Portsmouth. Quando o convívio com as duas favoritas ameaçava tomar-se entediante, Carlos II buscava outras, por desfastio. Foi o caso de Catherine Pegge, de Eliizabeth Killigrew e das actrizes Moll Davies e Nell Gwyn. Paciente, D. Catarina aceitava a infidelidade do rei - que, à falta de filho legítimo, ia semeando bastardos. A esterilidade da rainha serviu como arma de arremesso aos políticos protestantes. O casamento com uma católica só fora aceite graças à generosidade do dote. Com D. Catarina, a Inglaterra recebera dois milhões de cruzados em dinheiro, a praça-forte de Tânger, em Marrocos, e a cidade e feitoria de Bombaim, na índia. Mas, com o passar dos anos e a agudização do confronto entre whigs (protestantes radicais) e tories (partidários do poder real), a rainha foi alvo de acusações que a apontavam como agente de Roma e impulsionadora de conspirações "papistas" contra as liberdades parlamentares. Em abono de Carlos II, diga-se que sempre protegeu a mulher das intrigas políticas.
No campo pessoal, o rei elogiava a beleza dos olhos de Catarina - enquanto autores ingleses, porventura contaminados pelo preconceito, deixaram um retrato pouco simpático da rainha: feia, baixinha, roliça, com os dentes salientes. Do que não restam dúvidas é do papel de D. Catarina na introdução do chá na corte britânica, na alteração da baixela - deve-se-lhe a substituição dos pratos de metal pela loiça de porcelana - e o seu interesse pela música. No leito de morte, em 1685, Carlos II declarou a sua conversão ao catolicismo, provavelmente por influência da mulher. Sucedeu-lhe o irmão Jaime II, também católico - uma afronta para os ingleses, que preferiram trocá-lo por um holandês protestante, Guilherme de Orange. D. Catarina viveu em sobressalto a agitação que dominou o reinado do cunhado e culminou na "Gloriosa Revolução" de 1689. Sempre suspeita aos olhos dos protestantes vencedores, só lhe foi permitido regressar a Portugal em 1692, 30 anos depois de ter partido. Em Lisboa, recolheu-se no palácio da Bemposta e, no fim da vida, teve ainda um papel político importante. Apoiou a assinatura do Tratado de Methuen, em 1703, e assumiu a regência do reino por duas vezes, em 1704 e 1705, na ausência do irmão D. Pedro II. Morreu com 67 anos, no último dia de 1705.
[NS_J.Ferreira]
2009/4/25 DEU-LA-DEU MARTINS, HEROÍNA DE MONÇÃOLendária heroína portuguesa da vila de Monção, que no séc.XIV ficou para sempre ligada à sua história, pois quando Monçao foi cercada pelos soldados de Castela, com sua bravura e inteligência fez com que o inimigo levantasse o cerco às muralhas do castelo. Era casada com o alcaide-mor de Monção, D. Vasco Rodrigues de Abreu, comandante da praça de Monção, quando Portugal se viu, como foi comum durante toda a Idade Média, em mais uma refrega com Castela. Em 1368, o conflito opunha Fernando de Portugal a Henrique de Trastâmara ou Enrique II de Castilla. Monção estava cercada por um poderoso exército castelhano, comandado por Pedro Rodrigues Sarmento, e depois de um longo cerco às muralhas de Monção, a fome reinava no interior da fortaleza, enquanto o sitiante parecia disposto a esperar e obter a rendição dos lusos pela fome e o medo. Como D. Vasco estava ausente, coube à esposa a defesa do castelo. Em gesto desesperado e estratégico, ela mandou fazer alguns pães com a pouca farinha que ainda restava, pegou neles, subiu à muralha e atirou-os aos inimigos, dizendo-lhes que as provisões abundavam na cidade e que, dada a duração do cerco, eles poderiam precisar de alimento, procurando, assim, iludir os castelhanos. O estratagema deu certo, pois os galegos, também cheios de fome, convencidos de que dentro das muralhas de Monção havia fartura e que resistiriam por muito tempo, abandonaram o cerco e seu nome virou lenda e sinónimo de mulher corajosa. Não há registos sobre o local exacto de seu nascimento. Uma imagem de mulher, segurando um pão em cada mão do alto de uma torre, figura no brasão de Monção com a legenda: Deus a deu - Deus o há dado. Existe igualmente num cenotáfio da heroína, construído pelo seu 3º neto, uma torre no cimo da qual se encontra a figura da nobre mulher segurando um pão. Estes factos vêm confirmar a veracidade do gesto heróico de Deu-la-Deu Martins, símbolo da coragem que perdurou para além da memória da história. Na capela-mor, ao lado da epístola, está colocado um túmulo com os restos mortais da heroína. Este feito ficou para sempre na memória dos portugueses e deu origem ao costume de os vereadores do município se dirigirem ao túmulo de Deu-la-Deu, quando tomavam posse dos seus cargos, prestando-lhe homenagem.
2009/4/7 BRANCA DIAS – Heroína Luso-Brasileira
2009/3/18 ISABEL DE PORTUGALIsabel de Portugal era filha do rei Manuel I de Portugal e de Maria de Aragão, infanta de Espanha. Diziam-na belíssima, como prova o retrato pintado por Ticiano. Inteligente, a infanta foi educada pela famosa Beatriz Galindo, la Latina e pelo humanista valenciano Luís Vives.
O casamento fora recomendado por D. Manuel I. A 6.10.1525 firmou-se em Torres Novas o contrato. As primeiras negociações sobre o enlace entre D. Isabel e o imperador Carlos V começaram no Outono de 1522, entre D. João III, seu irmão, e a corte espanhola. O dote da imperatriz foi de 900 mil dobras de ouro castelhanas, o que era uma enorme fortuna. Em Janeiro de 1526, começaram os preparativos da partida da imperatriz Isabel de Portugal para Espanha. D. Isabel chegou a Elvas no dia 6 de Janeiro, acompanhada dos irmãos, D Luís e D. Fernando. Ao chegarem à fronteira, deram-lhe por montada uma linda "faca" branca, termo que significa cavalo pequeno, leve e magro, para maior comodidade na viagem. A viagem demorou dois meses. No dia 10 ou 11 de Março de 1526, realizou -se o casamento com os noivos lado a lado, e a cidade de Sevilha engalanou as ruas e viveu dias de grande alegria. Como alguém disse, Carlos e Isabel casaram sem se conhecer e amaram-se depois de se conhecerem. D. Isabel, além de ter um rosto de um perfeito oval, "olhos de garça", cabelos longos e loiros, com uma figura "esbelta e harmoniosa", terá percebido na lua-de-mel que a sorte a bafejara. Os noivos ficaram no Palácio do Alhambra, mas as comitivas eram tão numerosas que os familiares do lado de D. Isabel ficaram hospedados em São Jerónimo, magnífico edifício renascentista. Nestes dias de felicidade, Carlos ofereceu um cravo a Isabel, flor que na altura não era muito vulgar. E diz-se que foi por este gesto que um dos símbolos da Andaluzia e de Espanha é o "clavel". Em Dezembro, os imperadores partiram para Valladolid, onde chegaram no início do ano seguinte. Aqui, a imperatriz deu à luz, no dia 21 de Maio de 1527, o herdeiro do trono - Filipe (depois rei Filipe II de Espanha, Filipe I de Portugal). Sabe-se que o parto foi difícil e Isabel de Portugal sofreu muito. Isabel de Portugal tinha residência própria, independente da do marido, onde viviam quarenta damas e açafatas e mais de setenta jovens, rapazes e raparigas, alguns filhos do pessoal que lidava de perto com D. Isabel. Enquanto Carlos V estava em guerra ou a negociar tratados de paz com países ou regiões da Europa, Isabel tinha as responsabilidades de regente. O seu cargo era, como ficou escrito, "lugarteniente dcl reino de Castilla". Foi regente entre 1529 e 1532 centre 1535 e 1539. Nessa qualidade, viajou bastante. Para amenizar as saudades e para tratar de assuntos importantes do império, Carlos e Isabel escreviam-se com regularidade. Por vezes, o imperador não escrevia durante meses, a ponto de preocupar a imperatriz, que numa carta lhe "ralhou", dizendo que ao menos lhe escrevesse "todos os vinte dias". Isabel de Portugal foi novamente mãe, em 1535. Esta filha, Joana, viria a casar com o príncipe João Manuel, filho de D. João III de Portugal e de D. Catarina. Ficou viúva e à espera de um filho, que viria a ser o malogrado rei D. Sebastião, morto em Alcácer-Quibir. Quando Isabel de Portugal morreu de pós-parto, em 1539, o imperador estava ausente em Madrid e ficou muitíssimo amargurado. Refugiou-se no Mosteiro de Sisla, vestido de negro, cor que usou até ao fim dos seus dias. Rezava. E frequentemente os seus vassalos lhe viram lágrimas nos olhos. Temeu-se pela sua saúde, tal era o seu sofrimento pela ausência de Isabel. Para ter perto de si a imagem daquela que ele tanto amara, encomendou um retrato a Ticiano. Era costume fazerem-se as máscaras mortuárias dos falecidos ilustres e terá sido a partir dessa máscara de cera com as feições da imperatriz que Ticiano concebeu o retrato. Quando o imperador o viu, não o achou perfeito e quis que o mestre pintor retocasse o nariz de Isabel. E assim fez Ticiano. Aliás, pintou dois quadros quase iguais. Um desapareceu, anos mais tarde, num incêndio. Resta apenas aquele que acompanhou Carlos V quando se retirou para o Mosteiro deYuste, em 1556, e que esteve na grande exposição de Toledo, de Outubro de 2000 a Janeiro de 2001.
2009/1/14 INÊS NEGRADecorria o reinado de D. João I. Nessa altura algumas terras do norte de Portugal eram a favor de Castela. Era o caso de Melgaço, cujo castelo era governado por um alcaide castelhano. É neste ambiente que decorre a história de Inês Negra. O episódio que se segue, romanceado ou não, descreve um acto de coragem de mais uma mulher portuguesa que ficou na história. Inês Negra era uma mulher do povo fiel à causa da independência de Portugal. Por isso abandonou Melgaço na altura em que esta região estava sob domínio castelhano. Mais tarde, D. João I decidiu reconquistar Melgaço. Decorria o ano de 1387, e o castelo de Melgaço sofreu o assédio das forças portuguesas. A campanha caracterizou-se por uma série de assaltos e escaramuças, onde se defrontaram a nobreza, encastelada nos muros da vila, e as classes populares, baseadas fora de muros, no chamado arraial.
Inês Negra juntou-se ao exército, mas, segundo alguns narradores, as duas facções nunca chegaram a defrontar-se. A batalha travou-se entre Inês Negra e uma sua inimiga de longa data, a "Arrenegada", que tinha optado por apoiar os castelhanos. A lenda diz que a "Arrenegada" desafiou Inês Negra do alto das muralhas, propondo que a contenda fosse resolvida entre ambas com o acordo do exército castelhano. D. João I assistiu espantado à resposta de Inês Negra que dizia aceitar o desafio. Ambos os exércitos concordaram com este duelo e a Inês Negra, de espada na mão, defrontou a sua inimiga apoiada pelos gritos de incitamento dos homens de D. João I. O silêncio instalou-se quando a "Arrenegada" fez saltar com um golpe a espada das mãos de Inês, mas esta tirou uma forquilha da mão de um camponês e fez-se à luta, procurando atingir a "Arrenegada" nas pernas. Sentindo-se em desvantagem, esta atirou fora a espada e pegou num varapau que quebrou com fúria nas costas de Inês. Louca de fúria e de dor, Inês Negra largou a forquilha e atirou-se com unhas e dentes à sua oponente, rolando ambas no chão empoeirado. Um grito de dor gelou a assistência, que não conseguia perceber qual das duas vencera. Foi então que a "Arrenegada" se levantou e fugiu para o castelo, tapando as nódoas e o sangue do rosto com as mãos. Os castelhanos abandonaram Melgaço no dia seguinte e D. João I quis recompensar a heroína, mas esta respondeu que estava plenamente recompensada pela sova que tinha dado à sua inimiga.
2009/1/1 A PADEIRA DE ALJUBARROTANasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário. Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente. Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça. Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava a um senhor poderoso da Mauritânia. Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela. Acabaria, entre uma lendária vida pouco virtuosa e confusa, por se fixar em Aljubarrota, onde se tornaria dona de uma padaria e tomaria um rumo mais honesto de vida, casando com um lavrador da zona. Encontrar-se-ia nesta vila quando se deu a batalha entre portugueses e castelhanos a 14 de Agosto de 1385. Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos. Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas. Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto. 2008/11/13 MUMADONA DIASEsses domínios foram divididos em Julho de 950 com os seus seis filhos, vindo Gonçalo Mendes a ficar com os do condado Portucalense. O documento testamentário no qual faz a doação de seus domínios, gado, rendas, objectos de culto e livros religiosos ao mosteiro de Guimarães, datado de 26 de Janeiro de 959, é importante por testemunhar a existência de diversos castelos e povoações na região. Apesar de não ser a fundadora de Felgueiras, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, o seu registo é pioneiro ao incluir pela primeira vez estas terras, que vêem a data do registo como fundação. Por inspiração piedosa, mandou construir, na sua herdade de Vimaranes, um mosteiro duplex (misto, acolhendo frades e freiras), sob a invocação de São Mamede (Mosteiro de São Mamede ou Mosteiro de Guimarães), onde, mais tarde, professou. Para a defesa deste mosteiro e do povoado que foi crescendo junto ao mosteiro, das incursões dos Normandos. Mumadona fez erguer um castelo (Castelo de Guimarães) que viria a tornar-se num dos monumentos mais simbólicos da nacionalidade portuguesa. Em torno deste monumento desenvolveu-se o burgo de Guimarães, vindo a ser sede da corte dos condes de Portucale.
2008/9/18 D. TERESA (1087?-1130)Quem foi D. Teresa?
Filha de Afonso VI, rei de Leão e Castela, foi das raras mulheres a exercerem o poder político no Ocidente medieval.
Ao casar-se com Henrique de Borgonha, seu pai deu-lhe em dote os ricos e estratégicos territórios a sul do Minho que constituíram a origem do Portugal actual.
Por morte do marido, D. Henrique, em 1112, e com 3 filhos pequenos, governou o Condado Portucalense, reforçou a sua autonomia e procurou a independência.
Combateu a sua irmã Urraca, a quem disputou a coroa da Galiza.
Em 1116, o Papa Pascoal II reconheceu-lhe o título de Rainha de Portugal.
Opôs-se ao arcebispo Diego Gelmirez, apostado em impor o primado de Compostela sobre Braga.
D. Teresa tornou-se amante dos dois filhos do conde Pedro Froilaz de Trava: primeiro Bermudo Peres de Trava, depois Fernão Pedro de Trava com quem viveu durante vários anos, e de quem teve duas filhas.
Bermudo casou-se com uma das filhas de D. Teresa, Urraca Henriques.
A influencia e o poder dos Trava, designadamente de Fernão Peres, no território portucalense desagradou aos ricos-homens de Entre-Douro-e-Minho que conspiraram para afastar a "rainha" e aos seus galegos, chefiados pelo jovem Afonso Henriques.
Fez importantes doações aos Templários e combateu os mouros.
Depois da batalha de S. Mamede, retirou-se com Fernão Peres de Trava para a Galiza.
Morreu em 1 de Novembro de 1130.
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